Apesar dos receios de nossa esquerda partidária e dos movimentos sociais ,os Nazis não eram a maioria nestas manifestações. O que vimos foi a grande massa se rebelando e não se deixando controlar (pelo menos diretamente) nem por partidos que se dizem de esquerda, foi o povo com todos seus defeitos e qualidades pacifismo, ufanismo, vandalismo, crença no poder público, descrença no poder público, mas acima de tudo da direita e da esquerda, sopraram os ventos da mudança, é como se as pessoas estagnadas diante de grandes causas tivessem se unido para obter uma pequena e que a pequena conquista sirva de estímulo para novas, e que nenhum grupo fascista, comunista, anarquista, consiga direcionar isso. Que o povo nas ruas abandone seu papel de rebanho e assuma as rédeas de seu futuro. Os objetivos da luta devem ser traçados na própria luta, somente a grande maioria pode dizer o que é melhor para si. Que o movimento amadureça, mas com autonomia. Por que esse medo da massa?
Cria-se um plano de embate ideológico. Mas a reação aos partidos, sindicatos como não representantes do povo é só o reconhecimento do estes grupos realmente são. A falência das instituições oficiais já foi dada, a muito elas apenas jogam o jogo burguês. Há manifestações e movimentos de massa mas não há movimento, existem vários movimentos de direita e esquerda disputando espaço nestas manifestações. A despolitização do povo brasileiro mostrou sua face realizando um movimento político que não se reconhece como tal. Mas cria-se a brecha para a politização à direita ou à esquerda. É uma esquina perigosa? é. Mas cabe-se reconhecer que além da luta do "movimento" cabe-se travar uma luta ideológica interna dentro do "movimento". Não acredito que o grosso da população extrapolará os limites das reivindicações dentro do Estado Burguês, mas o debate se instaurou dentro do conflito prático. Se esta é uma peça de 5 atos apenas estamos no prelúdio.
