sexta-feira, 21 de junho de 2013

As manifestações de junho de 2013



Apesar dos receios de nossa esquerda partidária e dos movimentos sociais ,os Nazis não eram a maioria nestas manifestações. O que vimos foi a grande massa se rebelando e não se deixando controlar (pelo menos diretamente) nem por partidos que se dizem de esquerda, foi o povo com todos seus defeitos e qualidades pacifismo, ufanismo, vandalismo, crença no poder público, descrença no poder público, mas acima de tudo da direita e da esquerda, sopraram os ventos da mudança, é como se as pessoas estagnadas diante de grandes causas tivessem se unido para obter uma pequena e que a pequena conquista sirva de estímulo para novas, e que nenhum grupo fascista, comunista, anarquista, consiga direcionar isso. Que o povo nas ruas abandone seu papel de rebanho e assuma as rédeas de seu futuro. Os objetivos da luta devem ser traçados na própria luta, somente a grande maioria pode dizer o que é melhor para si. Que o movimento amadureça, mas com autonomia. Por que esse medo da massa?


Cria-se um plano de embate ideológico. Mas a reação aos partidos, sindicatos como não representantes do povo é só o reconhecimento do estes grupos realmente são. A falência das instituições oficiais já foi dada, a muito elas apenas jogam o jogo burguês. Há manifestações e movimentos de massa mas não há movimento, existem vários movimentos de direita e esquerda disputando espaço nestas manifestações. A despolitização do povo brasileiro mostrou sua face realizando um movimento político que não se reconhece como tal. Mas cria-se a brecha para a politização à direita ou à esquerda. É uma esquina perigosa? é. Mas cabe-se reconhecer que além da luta do "movimento" cabe-se travar uma luta ideológica interna dentro do "movimento". Não acredito que o grosso da população extrapolará os limites das reivindicações dentro do Estado Burguês, mas o debate se instaurou dentro do conflito prático. Se esta é uma peça de 5 atos apenas estamos no prelúdio.

sábado, 18 de maio de 2013

Politicismo e via colonial



Assistimos a perca de perspectiva mundial visando uma revolução pelo trabalho, estamos imersos no mais degenerado reformismo, tal situação assume um nível mais perverso ainda em um país que fez sua entrada no capitalismo industrial através da via Colonial, local onde, os partidos que se dizem “esquerda” visam apenas o aperfeiçoamento do capitalismo.A fetichização da política traça a extensão da cidadania como solução para todos os problemas, e assim, todo sentido de mudança é reduzido a reformas medíocres, articuladas pelo alto; que não chegam nem de longe a tocar o cerne dos problemas que visa solucionar. O objetivo de nossa “esquerda” é o estabelecimento de um “Estado de bem estar social” que minimiza os conflitos dentro da própria ordem do capital. Assistimos discursos retrógrados e superados como inovações e soluções, um pede um pacto social entre burguesia industrial e proletariado (submissão do segundo) para o crescimento da “nação”, outro acredita que é possível fazer reforma agrária mantendo a estrutura de um país latifundiário agroexportador, e a solução do problema da fome, passa a ser a distribuição de suas bolsas misérias (não apenas pela porca filantropia ,que se manifesta de forma ideológicas, mas também pelo seu próprio valor de compra também é miserável), Se o mundo imerge na lama do reformismo, nos situamos em sua região mais putrefata.
 
Qual o sentido da revolução para nós? Um país subordinado, vítima da expansão colonialista do séc. XVI horta da Europa produzindo mercadorias de luxo (Açúcar, tinturas), fiel consumidor de suas manufaturas. Tento pensar em um momento que a colônia tentou sua emancipação, Digo toda a colônia não rascunhos insignificantes de uma classe média débil. Como nos separamos da metrópole senão por arranjos políticos entre a própria classe dominante? “Livres” produzimos café com mão de obra escrava, forçados pelo tempo e novas necessidades trilhamos o caminho para a república sob outro arranjo das classes dirigentes, enfim apenas na crise dos anos 30 através de uma “rearrumação do antigo bloco do poder, que coaptou - e desse modo, neutralizou e subordinou -alguns setores radicais das camadas médias urbanas” , que, enfim, começamos a nos concluir como um país capitalista que tende à base industrial, esta somente finalizada nos anos 70.
 
As transformações e a modernização econômica no Brasil, foram efetuadas por via política, por conciliações entre facções da classe dominante, de “medidas aplicadas de cima para baixo”, com a conservação consequente de relações atrasadas;[no caso do Brasil que não conheceu o feudalismo, o latifúndio, e no nosso caso com a reprodução ampliada da dependência do capitalismo internacional].O que segundo ele gerou o distanciamento das “massas” da luta por decisões no país.
 
Um traço consequente de nossa modernização sob ”via prussiana” (classificação feita por C.N.Coutinho), é que ela somente se deu “sob a proteção de um regime bonapartista, o Estado novo, que segurou pela repressão e pela demagogia a neutralização da classe operária, ao mesmo tempo em que conservava quase intocado o poder do latifúndio”. O ápice desta saga foi posto em jogo pelo o regime militar, que “criou em as condições políticas para a implantação em nosso país de uma modalidade dependente (e conciliada com o latifúndio) de capitalismo dependente de estado”, processo que radicalizou ao extremo “a velha tendência de excluir tanto dos frutos do progresso quanto das decisões políticas as grandes massas da população nacional”. Ou seja, O desenvolvimento do capitalismo por “via prussiana”no Brasil, manteve um estado ditatorial permanente sobre a “esmagadora maioria da população” articulada por uma oligarquia (antes latifundiária agora monopolista).O Estado é extremamente “forte e autoritário”, já que a sociedade civil apresenta-se de forma “amorfa e atomizada”.
 
Neste panorama “os partidos políticos e organismos de massa” nunca passaram, mesmo no período mais liberal (1945-1964) de “correias do Estado”, mecanismos de conciliação “pelo alto”. Os movimentos de massa sempre foram continuamente massacrados, seja por repressão direta, seja por concorrência com nossos governos populistas que se autodenominavam “salvadores da pátria”, “Paizinhos dos pobres”, “benfeitores da nação”.
 
Para a melhor compreensão do problema que nos cabe é José Chasin, em sua distinção entre via prussiana e via colonial que nos traçará o norte direcionador. Marx já via o estado prussiano como “um despotismo militar, com armadura burocrática e blindagem policial, adornando formas parlamentares ,com mistura de elementos feudais e de influências burguesas”. O que caracteriza a via prussiana rumo à modernização é a conciliação feita entre forças progressistas e atrasadas da mesma sociedade, as velhas forças e relações sociais não são derrubadas através de “amplos movimentos de massa”, como o comum na via clássica, mas a alteração social se faz mediante uma conciliação entre as velha e nova classe dominante, um reformismo, pela alto, que exclui as massas populares. A falta de unidade nacional, sua formação nacional tardia, legaram que, quando a burguesia alemã tende à constituição de um estado burguês, sua prosperidade, se encontrar durante o período de declínio da burguesia dos outros países da Europa ocidental, se lembrarmos que a revolução prussiana, ocorre em um momento de explosão do movimento operário(1848)que lega, no meio da revolução contra a ordem feudal, a burguesia Alemã ter que se conciliar com a antiga classe fundiária, contra a massa de trabalhadores urbanos e rurais, é a isto paga o preço de um progresso retardatário para o seu desenvolvimento na Alemanha, ”É sempre[...]o caráter retardatário e conciliador” que lega desenvolvimento pela via prussiana.
 
O Governo, assumindo o compromisso da modernização, só o consegue através de um estado autoritário permanente sua “forma bismarckiana”,através de reformas lentas e medíocres apresentadas à burguesia como um “sacrifício” do Estado a eles, que pede em troca cessões destas ao governo. Assim as grandes fazendas latifundiárias gradualmente passam a substituir os métodos feudais de exploração por métodos burgueses, tornando-se cada vez mais burguesas. Lênin, sobre este aspecto afirma que, o que temos é “a manutenção máxima da sujeição e da servidão(transformada ao modo burguês),o desenvolvimento menos rápido das forças produtivas e um desenvolvimento retardado do capitalismo; implica calamidades e sofrimentos ,exploração e opressão incomparavelmente maiores das grandes massas de camponeses e, por conseguinte do proletariado”, a industrialização aos poucos vai extraindo da conciliação as condições de sua existência e progressão, durante a passagem temos “formas híbridas de Dominação, onde ‘se reúnem os pecados de todos os Estados’”.
 
Embora tanto no Brasil como na Alemanha, a grande propriedade agrária se apresentou como um empecilho à formação capitalista, que o traço das transformações foram feitas “pelo Alto” pela conciliação, excluindo rupturas superadoras, excluindo as massas e seus interesses do processo, sendo que, nos dois casos o desenvolvimento produtivo seja lento, assim como a implantação da indústria, e com ela o “verdadeiro capitalismo”, os dois casos vitimas de forças retrógradas poderosas com as quais as forças progressistas acabam por se conciliar; A totalidade concreta, a “raiz” dos dois casos possui caráter distinto.
 
O Brasil nunca conheceu uma aristocracia fundiária de origem feudal, apresentando-se o nosso latifúndio em raízes diversas do caso Alemão, proveniente da empresa colonial na economia mercantil, ou seja uma peça na “acumulação primitiva de capitais” que forneceu no período as bases para o desenvolvimento das relações capitalistas na Europa.
 
A industrialização nos dois casos é tardia, no entanto, enquanto a industrialização alemã atinge um processo de expansão em velocidade acelerada a partir do final do Séc.XIX, sendo que, posteriormente pela falta de matéria prima e mercados consumidores, por ter entrado tardiamente no mundo imperialista colonialista, é obrigada a forçar uma re-divisão das colônias, eclodindo em duas guerras mundiais. No Brasil a industrialização começa mais tardiamente, já num plano avançado das disputas imperialistas, e a faz sem nunca romper com seu Status de pais subordinado. A diferença pois reside no essencial, a posição dos dois países na divisão internacional do trabalho, o Brasil faz parte, assim como tantos, daqueles países vitima da extração colonial, que estavam na disputa dos países capitalistas centrais a qual a Alemanha visionava entrar; daí a sugestão de denominar a via de desenvolvimento do Brasil como, via Colonial. Países como Alemanha, Itália e Japão, possuíram uma transição lenta ao capitalismo, através de reformas conciliadoras, por estados autoritários e adquirindo seus status de desenvolvimento tardiamente, entram, no começo do séc.XX como elos débeis da cadeia imperialista, mas mesmo assim, países imperialistas, aos quais o crescimento dependia da apropriação das colônias já conquistadas por outros países, daí a guerra.
 
O Brasil somente iniciará sua industrialização nos anos 30 devido à crise do setor agro-exportador, onde, a indústria configura-se apenas como uma alternativa, entre tantas experimentadas para lidar com a crise. O sistema Agroexportador base da economia nacional possui traços característicos de subordinação, estando dependente, pois voltado ao exterior, aqui a relação comercial e financeira externa não é uma relação de nossa economia, é a relação, o sistema da qual ela depende chama-se imperialismo. O fato de nossa economia ser voltada para o mercado externo acaba bloqueando a produção de mercadorias para realização interna, lê-se aí nosso atraso industrial, o requerimento de financiamento externo acaba por fazer que o rendimento seja destinado a pagar os custos da intermediação comercial e financeira externa, impossibilitando o avanço na divisão social do trabalho.
 
A concreção de nossa industrialização durante o período do “milagre brasileiro”, sob regime ditatorial, que pretende concretizar nossa “modernização”, por cima, de forma brusca e autoritária, peca por conceber mudar toda a dinâmica econômica através da intervenção política, o que nos mantêm subordinados ao capital externo que impede nossa autonomia e desenvolvimento.
 
A redução da economia de matriz fundante da sociabilidade humana a mero “fator”, tendo validade relativa a qualquer outro”, desliza a argumentação para o plano da “oposição de interesses”, ou seja, a esfera política, o sintoma da impossibilidade da auto-regulação humana dentro deste sistema, deixa a base de nossa sociedade inalterada, e falha por tentar mudar sem mudar de fato, desenvolver mantendo a subordinação.
 
Leandro Lopes dos Santos - Sociólogo
 

Análise do Livro CUT:os militantes e a ideologia de Leoncio Martins Rodrigues

 
Formação da CUT
 
 
 
O processo de Reabertura política do Brasil acarretou um renascimento do movimento Sindical, e a tentativa de criação de organismos centrais de representação dos trabalhadores; com isso em 1981 começou-se a organizar o CONCLAT (conferencia nacional da Classe Trabalhadora).
 
A ditadura militar havia, pela opressão e controle governamental sobre os sindicatos, eliminados as lideranças pré-golpe; contudo os sindicatos oficiais não haviam sido destruídos, somente controlados, e agora, sobre a velha estrutura sindical(Coorporativa) ressurge um novo ativismo com suas respectivas lideranças, foram os recursos financeiros e administrativos desta estrutura que permitiram um rápido reerguimento do movimento sindical no brasil.
 
      Nas reuniões pré-CONCRAT foram postos em andamento os planos de Formação de uma Central Única dos Trabalhadores, contudo, mesmo nestas reuniões colidiam tendências opostas, Vejamos as palavras do Autor:
 
 
 
"Duas tendências principais se cristalizaram. uma delas, mais à esquerda, reuniu dirigentes sindicais do chamado 'bloco combativo', tendo à frente o sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo. Integravam também esta tendência militantes das oposições sindicais e da esquerda radical. Os primeiros geralmente estavam ligados à igreja; os segundos eram de orientação trotskista ou leninista. A outra ala, a “moderada”, denominada as vezes 'Bloco da reforma' ,reunia sindicalistas da tendência unidade sindical, que juntava  dirigentes pouco engajados politicamente que controlavam sindicatos, federações e confederações importantes, além de sindicatos dos dois partidos comunistas e do MR-8”
 
 
      Os radicais acusavam os moderados(majoritários na comissão) de não levarem em conta os planos de luta e a criação de uma Central Única dos trabalhadores, o conflito interno acabou por adiar o CONCLAT para 1982.Entre os planos de luta os radicais defendiam a explosão de uma greve geral para forçar o presidenta da república a atender uma série de reinvindicações, os moderados por sua vez temendo um agravamento de tenções sociais que atrapalhariam o processo de reabertura política(no ano eleitoral de 1982),achavam que faltavam condições tanto para a greve quanto para a formação da CUT.O autor salienta que o conflito em questão brota de duas concepções distintas no mesmo congresso de trabalhadores:
 
 
 
-  Um grupo limitava o movimento a ação estritamente política, a busca da redemocratização da política brasileira, na qual as demandas de ordem social não deveriam interferir.
 
-  O outro pretendia, através de modificações sociais profundas, abrir caminho para o socialismo.
 
 
 
O movimento acabou rachando, o grupo que decidiu pela formação da CUT realizou seu CONCLAT em agosto de 1983, Sendo que em outubro do mesmo ano o outro grupo realizou seu CONCLAT, mantendo a principio este nome em seus posteriores congressos e depois vindo a Formar a CGT(central geral dos Trabalhadores).
 
 
 
O CONCLAT de agosto de 1983
 
 
 
      O CONCLAT de 1983 decidiu que sua central deveria ser  independente dos padrões de governo, partidos políticos e credos religiosos; ela deveria ter autonomia e liberdade sindical, organização por ramo de atividade produtiva  e organização por local de trabalho, Posições que o outro bloco não apoiaria ,os dirigentes das federações e confederações não possuíam interesse em levar a cabo modificações que eliminariam as instituições que dirigiam.
 
      O plano de lutas mesclava lutas trabalhistas imediatistas ,com reformas sociais mais radicais que só poderiam ser concretizadas num plano de lutas mais extensas que resultariam em modificações no plano institucional rumo ao socialismo.
 
 
 
Entre as primeiras encontramos:
 
 
- Salário desemprego
 
-  Redução da jornada de trabalho para quarenta horas semanais sem redução de salário
 
-  Direito de sindicalização dos funcionários públicos
 
- Estabilidade no emprego
 
-   Eliminação das horas extras
 
-  Criação de comissões de trabalhadores nos locais de Trabalho
 
 
 
Nas outras encontramos:
 
 
 
-  Reforma Agrária radical, imediata sobre o controle dos trabalhadores, demarcação do uso coletivo da terra
 
-  Ocupação imediata das terras dos grileiros, do estado e dos latifúndios improdutivos ou não
 
-  Coletivização das grandes empresas nacionais e internacionais
 
 
 
A greve geral seria a principal arma, e logo de início seria encaminhada uma carta com reivindicações ao governo federal,a resposta deveria ser mandada até 14 de outubro, e caso não efetiva a CUT teria até 25 do mesmo mês para marcar a data e dar as orientações sobre a greve, Vejamos as exigências:
 
 
 
-  Retirada do decreto-Lei n 2.045
 
-   Fim da política econômica do governo
 
- Rompimento com o FMI
 
-  Liberdade e autonomia sindicais
 
-  Liberdade de organização política
 
- Reforma agrária sob o controle dos trabalhadores
 
-  Não pagamento da Dívida Externa
 
- Fim da lei de segurança nacional
 
- Fim do regime militar
 
-  Governo controlado pelos trabalhadores
 
- Eleições diretas para presidente
 
-  Contra a intervenção nos sindicatos
 
 
 
I II e II CONCUT
 
 
 
 
      O I CONCUT um ano após o CONCLAT começa em clima de desanimo, as bandeiras de luta não foram seguidas, a greve geral não saiu e a CUT demonstrou-se ineficiente nos conflitos capital/trabalho que se seguiram, admitiu não possuir ainda meios de ações tão alusivas, mas manteve propostas semelhantes, o autor credita estas guerras ideológicas como uma forma de busca de identidade no movimento sindical, delimitação de posições e ataque as representantes do sindicalismo oficial pela esquerda radical, começam as tentativas de reestruturação sindical buscando uma democratização das instancias representativas no sindicato. No II CONCUT o socialismo é traçado como meta da CUT, sendo sua via a busca de poder no parlamento por partidos historicamente representantes da classe trabalhadora, a CUT deveria acirrar o conflito de classes e preparar a ruptura com o sistema, as reivindicações imediatas serviriam como conscientização e a CUT se manteria longe de ser um partido político e independente de todos. Pretendia substituir a organização sindical corporativa, por uma de Bases, onde os departamentos por ramo profissional(a nível nacional)substituiriam as atuais federações e confederações; tal proposta menosprezava a estrutura sindical vigente, desconsiderando as tradições e interesses do sindicalismo oficial e a resistência das empresas e do governo, tal projeto não foi realizado, o único avanço foi na criação de novos departamentos, que nada mais eram que federações. O autor salienta que, se concretizada, este projeto de nova estrutura sindical, significaria uma grande perca de poder da CUT(se considerarmos a força do sindicalismo oficial em seu seio),fora o fato de que geraria uma verticalização do poder favorecendo o lado mais sindical que político da instituição. O III CONCUT Apresentou um aumento da proporção de delegados da diretoria em detrimento dos eleitos pela base e o crescimento do sindicalismo do setor público e de serviços nestas, mostrando um ganho neste setor e uma maior burocratização da CUT.
 
 
 
Disputas internas
 
 
 
      Contudo não podemos creditar uma unidade de pensamento sindical no interior da CUT,A facção majoritária no poder tende a uma maior valorização do âmbito organizativo, e acaba levando a CUT a uma maior Burocratização, e fixando a Faceta mais Sindicalista que política da entidade, no III CONCUT, as teses Sociais, políticas, mal foram debatidas e o socialismo é colocado como meta histórica da classe trabalhadora, mas não oficial à CUT,A maior centralização vem no âmbito de conquistas imediatas dentro da ordem capitalista e a luta política e institucional, fora a pretensão de um pacto social entre os trabalhadores e o patronato.
 
      A tendência de Oposição acaba defendendo ações mais radicais, no intuito de romper a ordem estabelecida, assumindo um programa mais político e menos sindical, no sentido de ruptura com o capitalismo, porém o que farão para isto? sua luta é pelo poder dentro de uma estrutura coorporativa de sindicato oficial, notamos pois que em seus sindicatos não são muito diferentes que aos que fazem oposição.
 
      A Tentativa de uma ação revolucionária por parte da CUT encontra como empecilhos, a heterogeneidade de sua composição,trabalhadores agrícolas, operários e uma grande Classe média, O caminho institucional oferecido por uma democracia de massas, o descrédito por propostas socialistas pela queda do leste Europeu a organização coorporativa e a intervenção governamental.
 
Leandro Lopes dos Santos - Sociólogo

Socialismo e Parlamentarismo


 
Malatesta analisa a relação tumultuosa entre o socialismo e o parlamentarismo, Socialistas Parlamentares? Partidos Socialistas na luta eleitoral pelo voto? O meio socialista não era a revolução? Que consequências Trazem para o próprio socialismo esse envolvimento de politicagem no jogo burguês?

            O socialismo doutrina científica que na realidade  objetiva  do mundo real busca os meios de sua realização, partindo de uma base materialista que vê a evolução das faculdades morais e intelectuais derivar da satisfação das necessidades materiais, busca seu fim na emancipação social, emancipação baseada em igualdade econômica e fraternidade mútua do povo.

            Por seu caráter próprio e identidade fundada sobre este pensamento materialista é próprio do socialismo antagonizar a democracia burguesa e seus meios tais como o sufrágio universal ,considerando-os fruto e manutenção de uma estrutura de dominação. O voto somente seria uma arma se o povo estivesse de posse  dos meios e consciência necessários de tomar o poder, tendo isto em vista o voto somente é cedido pela burguesia quando esta já tomou consciência de sua ineficácia  em promover alterações na base da sociedade ou utilizado como forma de ludibriar a massa revolta dando-lhe a ilusão de participação ,sufocando e criando obstáculos à revolução.

            As ilusões de uma reforma da consciência da classe dominante como um todo foi logo dissipada pelo sangue que verteu de toda tentativa de aliança, e o único meio para emancipação humana geral se deduz à uma ruptura violenta com o sistema de dominação ,e privilégio por isso, das classes dominantes, a revolução

           

Mesmo concordando com o mesmo fim e com a revolução uma rincha metodológica dividiu os socialistas, como o autor nos expõe:

 

            “os autoritários, queriam servir-se ,para emancipar o povo do mesmo mecanismo que o mantém hoje submisso, e tinham em mira conquistar o poder político”, e assim de modos ditatoriais gerar a entrega do solo e dos instrumentos de trabalho à comunidade e organizar, de cima, controle político, a produção e distribuição socialista.

            “Os outros ,os anarquistas, considerando que o estado só enquanto representa e defende o interesse de uma classe ou de uma oligarquia tem razão de ser, desaparecendo quando pela universalização do poder e da iniciativa, se confunde com a totalidade dos cidadãos, visando a destruição do poder público” ,"derrubar simultaneamente o poder político e propriedade individual, e organizar a produção, o consumo e toda a vida social por meio da obra direta e voluntária  de todas as forças e de todas as capacidades, que existem na humanidade e que procuram naturalmente manifestar-se e atuar”

 

            Para fazer a revolução a propaganda e a organização consciente do proletariado. Até alguns burgueses ,nos aponta o autor, “capazes de se elevar acima dos mesquinhos interesses de classe, e de desprezar os privilégios próprios pelo grande ideal de uma humanidade livre e feliz. "aderiram à proposta, e,” eis que contradizendo todas as tendências do programa e a propaganda que eles mesmos  tinham feito com zelo e inteligência, alguns socialistas se lembraram de se meter pelos caminhos tortuosos e sem saída do parlamentarismo.”

           

            O socialismo já ganhara força suficiente para além se ser visto como uma ameaça gerar a tentação de uma força a contar, um meio de propaganda para se chegar ao poder, uma força a serviço da própria burguesia em seus jogos de politicagem, por outro lado haviam socialistas desiludidos, cansados  ou que o nunca foram de fato dispostos a fazer o jogo burguês para uma promoção pessoal, para dissimularem a sua traição proferiram o argumento de mudança de tática e assim inicia-se o primeiro ato desta trágica comédia.    

            A ação se deu progressivamente ,do voto de protesto, para mostrar o peso e fazer propagando do partido, Branco, nos mortos ou em candidatos inelegíveis, passou-se a proferir a necessidade de um sentinela olhando de perto o jogo burguês e delatando-o ao povo, disso para o reformismo foi um passo, e em pouco se proferia uma evolução pacífica.

            O parlamentarismo destrói a iniciativa e gera passividade popular ,corrompe os parlamentares socialistas e os fazem logo não defenderem mais que seus interesses pessoais ou da nova classe que se vincularam***,transforma socialistas e operários apenas em políticos como quaisquer outros, as cooperativas criadas por ele criam no trabalhador o desejo de ser proprietário e com ela  o egoísmo do proprietário. A esta evolução pacífica o autor opõe outra ,uma ruptura rápida e violenta, espontânea ou provocada, quantos as ideias de uma evolução precedente se mostram impossibilitadas, que gere ao povo a propriedade de tudo para utilizar em proveito de todos e que por suas mãos esse patrimônio coletivo seja gerido.

            Por fim se pode-se gerar eleitores, para eleger “Deputados para expandir as ideias do partido e forçar o povo a estuda-lo”, porque  desperdiça-los desta maneira se estas pessoas poderiam estar arquitetando uma ação de verdade contra o regime burguês e serem um ponto de irradiação socialista.
 
Leandro Lopes dos Santos - Sociólogo