Malatesta analisa a relação tumultuosa entre o socialismo e o
parlamentarismo, Socialistas Parlamentares? Partidos Socialistas na luta
eleitoral pelo voto? O meio socialista não era a revolução? Que consequências
Trazem para o próprio socialismo esse envolvimento de politicagem no jogo
burguês?
O socialismo doutrina científica que
na realidade objetiva do mundo real busca os meios de sua
realização, partindo de uma base materialista que vê a evolução das faculdades
morais e intelectuais derivar da satisfação das necessidades materiais, busca
seu fim na emancipação social, emancipação baseada em igualdade econômica e
fraternidade mútua do povo.
Por seu caráter próprio e identidade
fundada sobre este pensamento materialista é próprio do socialismo antagonizar
a democracia burguesa e seus meios tais como o sufrágio universal
,considerando-os fruto e manutenção de uma estrutura de dominação. O voto
somente seria uma arma se o povo estivesse de posse dos meios e consciência necessários de tomar
o poder, tendo isto em vista o voto somente é cedido pela burguesia quando esta
já tomou consciência de sua ineficácia
em promover alterações na base da sociedade ou utilizado como forma de ludibriar
a massa revolta dando-lhe a ilusão de participação ,sufocando e criando
obstáculos à revolução.
As ilusões de uma reforma da
consciência da classe dominante como um todo foi logo dissipada pelo sangue que
verteu de toda tentativa de aliança, e o único meio para emancipação humana
geral se deduz à uma ruptura violenta com o sistema de dominação ,e privilégio
por isso, das classes dominantes, a revolução
Mesmo concordando com o mesmo fim e com a revolução
uma rincha metodológica dividiu os socialistas, como o autor nos expõe:
“os
autoritários, queriam servir-se ,para emancipar o povo do mesmo mecanismo que o
mantém hoje submisso, e tinham em mira conquistar o poder político”, e assim de
modos ditatoriais gerar a entrega do solo e dos instrumentos de trabalho à
comunidade e organizar, de cima, controle político, a produção e distribuição
socialista.
“Os
outros ,os anarquistas, considerando que o estado só enquanto representa e
defende o interesse de uma classe ou de uma oligarquia tem razão de
ser, desaparecendo quando pela universalização do poder e da iniciativa, se
confunde com a totalidade dos cidadãos, visando a destruição do poder
público” ,"derrubar simultaneamente o poder político e propriedade individual, e
organizar a produção, o consumo e toda a vida social por meio da obra direta e
voluntária de todas as forças e de todas
as capacidades, que existem na humanidade e que procuram naturalmente
manifestar-se e atuar”
Para
fazer a revolução a propaganda e a organização consciente do proletariado. Até
alguns burgueses ,nos aponta o autor, “capazes de se elevar acima dos mesquinhos
interesses de classe, e de desprezar os privilégios próprios pelo grande ideal
de uma humanidade livre e feliz. "aderiram à proposta, e,” eis que contradizendo
todas as tendências do programa e a propaganda que eles mesmos tinham feito com zelo e inteligência, alguns
socialistas se lembraram de se meter pelos caminhos tortuosos e sem saída do
parlamentarismo.”
O
socialismo já ganhara força suficiente para além se ser visto como uma ameaça
gerar a tentação de uma força a contar, um meio de propaganda para se chegar ao
poder, uma força a serviço da própria burguesia em seus jogos de politicagem, por
outro lado haviam socialistas desiludidos, cansados ou que o nunca foram de fato dispostos a
fazer o jogo burguês para uma promoção pessoal, para dissimularem a sua traição
proferiram o argumento de mudança de tática e assim inicia-se o primeiro ato
desta trágica comédia.
A
ação se deu progressivamente ,do voto de protesto, para mostrar o peso e fazer
propagando do partido, Branco, nos mortos ou em candidatos inelegíveis, passou-se
a proferir a necessidade de um sentinela olhando de perto o jogo burguês e
delatando-o ao povo, disso para o reformismo foi um passo, e em pouco se proferia
uma evolução pacífica.
O
parlamentarismo destrói a iniciativa e gera passividade popular ,corrompe os
parlamentares socialistas e os fazem logo não defenderem mais que seus
interesses pessoais ou da nova classe que se vincularam***,transforma
socialistas e operários apenas em políticos como quaisquer outros, as
cooperativas criadas por ele criam no trabalhador o desejo de ser proprietário
e com ela o egoísmo do proprietário. A
esta evolução pacífica o autor opõe outra ,uma ruptura rápida e
violenta, espontânea ou provocada, quantos as ideias de uma evolução precedente
se mostram impossibilitadas, que gere ao povo a propriedade de tudo para
utilizar em proveito de todos e que por suas mãos esse patrimônio coletivo seja
gerido.
Por
fim se pode-se gerar eleitores, para eleger “Deputados para expandir as ideias
do partido e forçar o povo a estuda-lo”, porque
desperdiça-los desta maneira se estas pessoas poderiam estar
arquitetando uma ação de verdade contra o regime burguês e serem um ponto de
irradiação socialista.
Leandro Lopes dos Santos - Sociólogo

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