sábado, 18 de maio de 2013

Socialismo e Parlamentarismo


 
Malatesta analisa a relação tumultuosa entre o socialismo e o parlamentarismo, Socialistas Parlamentares? Partidos Socialistas na luta eleitoral pelo voto? O meio socialista não era a revolução? Que consequências Trazem para o próprio socialismo esse envolvimento de politicagem no jogo burguês?

            O socialismo doutrina científica que na realidade  objetiva  do mundo real busca os meios de sua realização, partindo de uma base materialista que vê a evolução das faculdades morais e intelectuais derivar da satisfação das necessidades materiais, busca seu fim na emancipação social, emancipação baseada em igualdade econômica e fraternidade mútua do povo.

            Por seu caráter próprio e identidade fundada sobre este pensamento materialista é próprio do socialismo antagonizar a democracia burguesa e seus meios tais como o sufrágio universal ,considerando-os fruto e manutenção de uma estrutura de dominação. O voto somente seria uma arma se o povo estivesse de posse  dos meios e consciência necessários de tomar o poder, tendo isto em vista o voto somente é cedido pela burguesia quando esta já tomou consciência de sua ineficácia  em promover alterações na base da sociedade ou utilizado como forma de ludibriar a massa revolta dando-lhe a ilusão de participação ,sufocando e criando obstáculos à revolução.

            As ilusões de uma reforma da consciência da classe dominante como um todo foi logo dissipada pelo sangue que verteu de toda tentativa de aliança, e o único meio para emancipação humana geral se deduz à uma ruptura violenta com o sistema de dominação ,e privilégio por isso, das classes dominantes, a revolução

           

Mesmo concordando com o mesmo fim e com a revolução uma rincha metodológica dividiu os socialistas, como o autor nos expõe:

 

            “os autoritários, queriam servir-se ,para emancipar o povo do mesmo mecanismo que o mantém hoje submisso, e tinham em mira conquistar o poder político”, e assim de modos ditatoriais gerar a entrega do solo e dos instrumentos de trabalho à comunidade e organizar, de cima, controle político, a produção e distribuição socialista.

            “Os outros ,os anarquistas, considerando que o estado só enquanto representa e defende o interesse de uma classe ou de uma oligarquia tem razão de ser, desaparecendo quando pela universalização do poder e da iniciativa, se confunde com a totalidade dos cidadãos, visando a destruição do poder público” ,"derrubar simultaneamente o poder político e propriedade individual, e organizar a produção, o consumo e toda a vida social por meio da obra direta e voluntária  de todas as forças e de todas as capacidades, que existem na humanidade e que procuram naturalmente manifestar-se e atuar”

 

            Para fazer a revolução a propaganda e a organização consciente do proletariado. Até alguns burgueses ,nos aponta o autor, “capazes de se elevar acima dos mesquinhos interesses de classe, e de desprezar os privilégios próprios pelo grande ideal de uma humanidade livre e feliz. "aderiram à proposta, e,” eis que contradizendo todas as tendências do programa e a propaganda que eles mesmos  tinham feito com zelo e inteligência, alguns socialistas se lembraram de se meter pelos caminhos tortuosos e sem saída do parlamentarismo.”

           

            O socialismo já ganhara força suficiente para além se ser visto como uma ameaça gerar a tentação de uma força a contar, um meio de propaganda para se chegar ao poder, uma força a serviço da própria burguesia em seus jogos de politicagem, por outro lado haviam socialistas desiludidos, cansados  ou que o nunca foram de fato dispostos a fazer o jogo burguês para uma promoção pessoal, para dissimularem a sua traição proferiram o argumento de mudança de tática e assim inicia-se o primeiro ato desta trágica comédia.    

            A ação se deu progressivamente ,do voto de protesto, para mostrar o peso e fazer propagando do partido, Branco, nos mortos ou em candidatos inelegíveis, passou-se a proferir a necessidade de um sentinela olhando de perto o jogo burguês e delatando-o ao povo, disso para o reformismo foi um passo, e em pouco se proferia uma evolução pacífica.

            O parlamentarismo destrói a iniciativa e gera passividade popular ,corrompe os parlamentares socialistas e os fazem logo não defenderem mais que seus interesses pessoais ou da nova classe que se vincularam***,transforma socialistas e operários apenas em políticos como quaisquer outros, as cooperativas criadas por ele criam no trabalhador o desejo de ser proprietário e com ela  o egoísmo do proprietário. A esta evolução pacífica o autor opõe outra ,uma ruptura rápida e violenta, espontânea ou provocada, quantos as ideias de uma evolução precedente se mostram impossibilitadas, que gere ao povo a propriedade de tudo para utilizar em proveito de todos e que por suas mãos esse patrimônio coletivo seja gerido.

            Por fim se pode-se gerar eleitores, para eleger “Deputados para expandir as ideias do partido e forçar o povo a estuda-lo”, porque  desperdiça-los desta maneira se estas pessoas poderiam estar arquitetando uma ação de verdade contra o regime burguês e serem um ponto de irradiação socialista.
 
Leandro Lopes dos Santos - Sociólogo

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